O mês de maio foi um verdadeiro teste para os investidores de criptomoedas, que sentiram na própria pele a volatilidade que a classe de ativos possui. O valor total do mercado de criptoativos derreteu dos US$ 2,2 trilhões para US$ 1,46 trilhão durante o período, o que representa uma desvalorização de cerca de 33%.

Entretanto, um levantamento feito pela QR Asset Managment mostrou que algumas criptomoedas conseguiram fechar o mês no positivo. Foi o caso da Polygon, antiga Matic, que encerrou maio com alta de 127,89%. Ao todo, foram analisados 40 ativos digitais por capitalização de mercado, entre os dias 30 de abril e 31 de maio.

“O mercado vinha em seis meses de altas fortes consecutivas, com quase 30% ao mês, ou seja, tinha espaço para corrigir”, diz Theodoro Fleury, gestor da QR Asset e responsável pela análise.

O gestor explica que o mês de maio foi marcado por um fenômeno conhecido como FUD (Fear, Uncertainty, and Doubt) ou, no português, medo, incertezas e dúvidas. O termo explica o sentimento de insegurança dos investidores de ativos digitais em períodos de alta volatilidade.

A suspensão da compra de veículos Tesla com o Bitcoin como meio de pagamento, a pressão do governo chinês, que disse que iria regular o mercado e também proibir a mineração de ativos digitais no país, são alguns dos fatos que contribuíram para esse sentimento de incerteza. “Tudo isso afetou o mercado, pois estava em um momento sensível”, diz Fleury.

Quais as criptomoedas que mais se valorizaram?

Melhores desempenhos vs USD
Símbolo Nome Preço inicial Preço final Variação %
MATIC Polygon US$ 0,821336 US$ 1,871755 127,89%
ETC Ethereum Classic US$ 36,327689 US$ 70,155232 93,12%
ADA Cardano US$ 1,353865 US$1,738349 28,40%
EOS EOS US$ 6,4527 US$ 6,63282 2,79%
ETH Ethereum US$ 2774,698741 US$ 2707,267734 -2,43%

Ao contrário do mês anterior, quando os ativos com melhores desempenhos que figuravam entre o top 5 não possuíam fundamentos, em maio, a situação se inverteu e, agora, quatro das cinco criptomoedas do ranking possuem fundamentos por trás da alta. São elas: Matic, Cardano, Ethereum e EOS.

“A Matic, que passou por um processo de rebranding recentemente, é uma das soluções mais promissoras de algo que chamamos de layer 2 ou, em português, segunda camada”, diz Fleury.

Essa segunda camada refere-se a uma estrutura secundária construída em cima das blockchains existentes, para resolver problemas de velocidade de transação e as dificuldades de escalabilidade das principais redes de criptomoedas. Ou seja, é uma rede que funciona em paralelo à principal, com uma velocidade de transação maior, que depois registra o básico das informações na blockchain principal.

“Essas soluções de segunda camada estão sendo vistas como o maior potencial de aumento de escalabilidade da própria rede do Ethereum, a descongestionando. Em maio, vários protocolos de finanças descentralizadas começaram a rodar na rede do Matic com muito sucesso”, diz.

Já a Cardano é uma criptomoeda encabeçada por Charles Hawkinson, que foi um dos fundadores da rede Ethereum. Mas, segundo Fleury, até pouco tempo atrás, não passava de um projeto que contava com muita mídia e uma comunidade muito motivada.

“Foi só esse mês que anunciaram a rede de testes, última etapa antes da blockchain entrar em produção, que vai começar a rodar os contratos inteligentes, o que abre possibilidade de diversas aplicações funcionarem na rede do Cardano”, diz Fleury.

No caso da EOS, o gestor explica que é um pouco mais complicado, já que se trata de uma blockchain alternativa, que já está no mercado, que em teoria tem uma velocidade de transação interessante, mas possui um mecanismo que não é muito compreendido, o que gera desconfiança.

Por fim, o Ether, criptoativo da rede Ethereum, não chegou nem a se valorizar no mês de maio, mas teve uma queda tímida perto das criptomoedas com os piores desempenhos.

“O Ether teve uma queda de 2,43%, pois no início do mês teve uma alta muito forte. Então, maio, de certa forma, apagou essa valorização, caindo um pouquinho a mais. Mas, ao olharmos a cotação máxima e mínima do mês, podemos ver que a cripto caiu 50% também”, diz Fleury. Vale lembrar que no decorrer do mês, o criptoativo foi de US$ 4.362,35 para US$ 1.737,47.

Perguntado sobre a situação do Ethereum Classic, o gestor brinca que não entende a valorização. Para ele, os investidores compram o ativo por engano, pois acham que estão comprando o Ether.

Quais as criptomoedas que mais se desvalorizaram?

Piores desempenhos vs USD
Símbolo Nome Preço inicial Preço final Variação %
LUNA Terra US$ 16,698598 US$ 6,546913 -60,79%
FIL Filecoin US$ 164,112665 US$ 72,55665 -55,79%
MIOTA IOTA US$ 2,1583 US$ 1,106621 -48,73%
BitTorrent BitTorrent US$ 0,007246 US$ 0,003846 -46,91%
BSV Bitcoin SV US$ 323,887628 US$ 174,791981 -46,03%

Na outra ponta do levantamento, podemos observar que não é à toa que os especialistas avisam que a classe de ativos é extremamente volátil e não é para todos os investidores, pois poucas pessoas têm estômago para aguentar quedas de até 60%.

Apesar das grandes correções que aconteceram no mês de maio, o gestor da QR Asset ainda tem uma visão positiva para o longo prazo. “Não acredito que o bull market tenha terminado, foi uma correção um pouco maior dentro desse ciclo. Em 2017, no qual o Bitcoin subiu mais de 1000% no ano, a criptomoeda teve de três a quatro correções de 35% a 40% ao longo do período. Ou seja, não tem nada de muito atípico”, diz.

Para Fleury, essas correções assustam um pouco, mas é preciso lembrar que as altas que antecederam esse movimento vieram com bastante força. “É o caso da Terra, que apresentou a maior queda do mês, com 60% de desvalorização, mas ainda está em 1000% no acumulado de 2021”, conclui.

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