O deputado bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR) publicou nas redes sociais um vídeo com o hacker conhecido como VandaTheGod, que atacou uma série de sites do governo e aplicou golpes na internet, para atacar as urnas eletrônicas no Brasil.

Marcos Roberto Correia da Silva, o VandaTheGod, foi preso em Uberlândia no fim de 2019. Ele pedia resgate em Bitcoin para as vítimas e na época parecia gostar de se tornar uma “celebridade”.

Depois, solto, ele teria comandado ataques ao site do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições do ano passado e teria participado do vazamento de 200 milhões de CPFs de brasileiros.

Hoje ele está preso em Minas Gerais e recebeu Barros supostamente para falar sobre suas “habilidades” para derrotar a Justiça Eleitoral.

A base bolsonarista tem intensificado campanhas contra o voto eletrônico no Brasil. Segundo o próprio presidente Jair Bolsonaro, as urnas não são confiáveis e o melhor método de votação para as eleições seriam cédulas impressas, que foram aposentadas nos anos 1990.

O vídeo com o hacker já foi visto mais de 500 mil vezes e seria uma “prova” da fragilidade das urnas, mas qualquer análise um pouco mais profunda serve para apontar falhas nos argumentos do cibercriminoso.

Segundo as investigações que envolvem Correia da Silva, suas habilidades como hacker são bastante limitadas se comparadas com outros ataques comandados no Brasil.

O deputado bolsonarista pergunta a ele se ele conseguiria “invadir o sistema eleitoral”, com resposta afirmativa do hacker, dizendo que “manipularia tudinho”, sem dar mais detalhes para além da bravata. As urnas eletrônicas não funcionam em “sistema” e não têm nenhuma ligação com a internet.

A Justiça eleitoral recebe regularmente especialistas em cibersegurança e nunca teve nenhum caso de fraude desde que foi implementada, em 1998.

Jair Bolsonaro insistem em afirmar que as urnas são passíveis de fraude e faz campanha para o Congresso aprovar o voto impresso, mas quase viu a proposta minguar na semana passada. O governo manobrou e conseguiu adiar a votação, mas a derrota é vista como quase certa.

As circunstâncias da “entrevista” com o hacker também não foram esclarecidas. O criminoso teria sido convidado a dar uma entrevista a uma empresa de cibersegurança, mas foi levado ao encontro de duas pessoas ligadas ao deputado do PSL.

Os advogados dele só tiveram conhecimento depois que o vídeo foi publicado. Eles dizem que houve prejuízo à defesa do preso e de suas garantias constitucionais, acusando o deputado bolsonarista de usá-lo como “boneco de manobra política”.

A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais diz que ele “aceitou ser entrevistado sem o advogado”. O nome do deputado bolsonarista não consta nos documentos do depoimento, que teria sido feito “no âmbito do debate da PEC 135/2019”. O deputado se pronunciou ao Estadão:

“Em nenhum momento restou ocultado o fato de estarem vinculados ao Congresso”

O deputado também não cida no vídeo que o hacker é alvo de uma investigação por estelionato e fraude, roubando dados sensíveis das vítimas e oferecendo nas redes em troca de BTC.

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