(Aléxis Cerqueira Góis, Especial para o E-Inevstidor) – O bitcoin é o criptoativo mais negociado no mercado e já atingiu US$ 570 bilhões de capitalização. A moeda digital alcançou a cotação recorde de US$ 63 mil em abril de 2021 e foi considerada o investimento mais rentável de todo o ano passado, com ganhos de 415% no período. A moeda tem chamado a atenção de investidores financeiros tradicionais, como os bancos, e de famosos, como Elon Musk, proprietário da Tesla e SpaceX.

Contudo, na mesma velocidade que gera ganhos, a criptomoeda pode apresentar um comportamento de baixa, colocando-a dentro do grupo de investimentos de alto risco. Em maio, em menos de um mês após a máxima histórica, o bitcoin recuou bruscamente e chegou a ser negociado por US$ 30 mil em alguns momentos — o que pode assustar os investidores mais aflitos e conservadores.

Apesar do comportamento aparentemente errático do valor do ativo, existem parâmetros que facilitam o entendimento da movimentação de preço e até permitem visualizar, com certa previsibilidade, as tendências de valorização ou desvalorização da criptomoeda. E, a partir disso, montar uma estratégia de investimento em bitcoin.

Como funciona o bitcoin?

Moeda de bitcoin ao lado da logo da Tesla
A relação da Tesla com o bitcoin tem influenciado tanto de forma positiva quanto negativa o preço da criptomoeda. (Foto: Shutterstock/mundissima/Reprodução)

O bitcoin é a primeira moeda digital criada no mundo, que tem como principal característica a descentralização. Diferente das moedas tradicionais, o criptoativo não tem lastro, isto é, garantia em um produto, como o ouro, ou outro ativo financeiro, como o dólar. Por esse motivo, a sua emissão é limitada em 21 milhões de unidades desde a sua criação.

O ativo é negociado na internet, com registro em uma rede própria conhecida como blockchain. Cada operação de compra e venda realizada é verificada por membros mineradores, que são remunerados por blocos de transação. Aproximadamente a cada quatro anos, o valor pago pela mineração desses blocos é reduzido pela metade, momento no qual a moeda tende a valorizar.

A fama e a recente tendência de alta têm aumentado o interesse e a adesão sobre o criptoativo. Sendo assim, a moeda virtual já é aceita como forma de pagamento em diversos estabelecimentos, como pizzarias e hotéis, a operadoras de cartão de crédito. O bitcoin também está presente na carteira de investidores e na composição de Fundos de Investimentos oferecidos por bancos, inclusive no Brasil.

Fatores que influenciam a cotação

A lei de oferta e da procura é o principal fator de influência na cotação do bitcoin. A criptomoeda também é afetada por grandes operações nas carteiras digitais, como as anunciadas pela Tesla, e pelo contexto fora do mundo digital, como expectativa de regulamentação dos ativos digitais e a cobrança de impostos.

O preço também pode ser influenciado por crises financeiras das moedas tradicionais. Como não sofre influência dos governos nacionais, o bitcoin tem-se tornado uma importante reserva financeira para momentos adversos, papel originalmente ocupado pelo ouro. Nessas ocasiões, a escassez de bitcoins, dada à sua natureza de emissão limitada, ajuda a valorizar a moeda.

Além disso, a cotação do criptoativo é hipersensível ao noticiário. Quando são divulgadas notícias de investidores e usos novos para a moeda, a confiança sobre o bitcoin tende a aumentar e, com isso, o seu preço. Entretanto, quando as notícias são de problemas técnicos ou invasões de hackers a corretoras e a sistemas de moedas digitais, a tendência é inversa.

Como prever os ganhos em bitcoin?

Moeda de bitcoin num plano com desempenho de ações
Alguns movimentos de preço do bitcoin podem ser previstos com certo conhecimento. (Foto: Shutterstock/rzoze19/Reprodução)

Apesar do comportamento incerto da moeda digital, esses e outros recursos ajudam a identificar a tendência de movimentação, para que os investidores tentem obter ganhos com as operações em bitcoin. A oscilação mais previsível é decorrente do halving — corte da produção de criptomoeda pela metade. Até o momento, ocorreram três eventos do tipo, todos acompanhados de uma alta considerável do patamar de preço.

Em 2012, no primeiro halving, a moeda saltou de US$ 10 para US$ 1 mil, enquanto que, em 2016, o ativo passou de US$ 1 mil para US$ 10 mil. No último halving, ocorrido em 2020, o bitcoin saiu de menos de US$ 10 mil para a casa dos US$ 60 mil. O próximo evento dessa natureza está previsto para acontecer apenas em 2024.

Outro momento previsível de valorização do ativo é próximo do vencimento dos contratos futuros de bitcoin. Eles são programados para acontecer sempre na última sexta-feira de cada mês, às 21h no horário de Brasília.

Análises de oscilação

Normalmente, quem investe em bitcoin pode querer realizar operações de daytrade para ter ganhos rápidos. Isso porque nas transações de curto prazo é possível obter certa previsibilidade da tendência de valor do criptoativo, a partir de análise técnica gráfica semelhante ao modelo adotado no mercado de ações.

Como descrito pela Teoria de Dow, o preço de ações se movimenta por ondas de alta e de baixa. Dessa forma, uma análise gráfica pode ajudar o investidor a tomar a decisão. A cotação costuma oscilar entre os pontos de suporte, ou seja, o preço mínimo do ativo, e de resistência, cotação que o ativo raramente atinge.

Assim, quando o valor do bitcoin está próximo do suporte, é um momento ideal para compra, pois a probabilidade de queda é pequena. Quando o valor se aproxima da resistência, o ponto é adequado para a venda, uma vez que o ativo dificilmente ultrapassará aquele valor. Caso aconteça o rompimento desses pontos, a tendência é que o ativo tenha uma súbita valorização (no caso de resistência) ou desvalorização (no caso de suporte).

Fonte original