Uma prática comum dentro da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), comandada por Edir Macedo, está provocando uma verdadeira guerra interna. Estimulados pela direção, pastores, bispos e obreiros passaram a investir pesado na compra de criptomoedas. O esquema saiu do controle e já teve como resultado o afastamento de mais de 300 pastores.

A informação foi divulgada pelo jornalista Gilberto Nascimento, que participou, nesta quinta-feira (21), do Jornal da Fórum, com apresentação de Luís Costa Pinto.

Nascimento contou que quatro pastores acusaram a IURD de quebrarem, ilegalmente, seus sigilos bancários, porque estavam investindo grandes quantias em bitcoins e, por isso, acabaram desligados da instituição.

A relação da igreja com as criptomoedas não é recente. Um exemplo é o ex-garçom e ex-pastor, Glaidson Acácio dos Santos, proprietário da empresa GAS Consultoria Bitcoin. Ele acabou preso por envolvimento em um esquema de pirâmide financeira com criptomoedas.

Glaidson fez doações milionárias à IURD. De acordo com levantamento da Receita Federal, as transferências do acusado à igreja foram de R$ 29 milhões, entre 2018 e 2020. No entanto, a igreja confirmou ter recebido valores ainda mais altos: R$ 72,3 milhões, entre 4 de maio de 2020 a 12 de julho de 2021.

Nascimento e Costa Pinto também comentaram reportagem, de Mirelle Pinheiro e Carlos Carone, publicada nesta quinta, no Metrópoles. A direção da IURD denunciou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) um pastor, que teria desviado cerca R$ 30 milhões da igreja.

Arquiteto, o pastor foi um dos responsáveis pela construção do gigantesco Templo de Salomão, no bairro do Brás, em São Paulo. Ele também estava à frente das obras da nova sede da igreja, que ocupa nada menos do que uma área de 52 mil metros quadrados e se localiza em Taguatinga.

Portugal

Segundo denúncia dos advogados da IURD, o pastor e arquiteto teria encaminhado contratos para uma construtora em Portugal para, de acordo com a acusação, lavar dinheiro no exterior. Ele também estaria envolvido no esquema das criptomoedas.

Após ser confrontado pela direção da igreja, o suspeito fugiu. A PCDF não divulgou o nome do pastor para não comprometer as investigações.

O novo templo no Distrito Federal terá heliponto, elevador privativo, espelho d’água, arborização, três andares de garagem subterrânea, vista livre para o céu e poderá ter até uma esteira para carregar o dízimo dos fiéis direto para um cofre. O local terá capacidade para abrigar 5 mil pessoas.



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