O bitcoin falhou como moeda, meio de pagamento, reserva de valor e proteção contra a inflação e vale “exatamente zero”, afirmou Nassim Taleb em um artigo publicado recentemente no qual dá sua visão sobre as criptomoedas.

“Poucos ativos na história financeira foram mais frágeis que o bitcoin”, sintetizou o escritor e estatístico libanês radicado nos Estados Unidos, famoso por livros como “A Lógica do Cisne Negro” e “Antifrágil”.

O documento divulgado por Taleb representa uma radical mudança de direção do escritor, uma celebridade das finanças comportamentais, com relação aos criptoativos.

Nos últimos anos, ele já havia tecido elogios ao bitcoin, em especial à capacidade que a criptomoeda confere às pessoas de controlar seu próprio dinheiro e de negociar taxas mais justas.

Em 2018, ele chegou a se referir à pioneira entre as criptos como “a primeira moeda orgânica” e como “um seguro contra o controle governamental sobre as moedas fiduciárias”.

Era uma referência ao poder que os bancos centrais têm de “imprimir mais moeda” e desvalorizar a divisa de um país como parte da política monetária, uma das grandes críticas dos entusiastas de criptomoedas ao sistema financeiro tradicional – como nas recentes iniciativas de bancos centrais pelo mundo para gerar caixa para financiar planos de combate à recessão causada pela pandemia.

Mas em fevereiro, em meio à disparada da cotação do bitcoin após o anúncio da Tesla de que havia investido US$ 1,5 bilhão na cripto, Taleb foi no sentido oposto e anunciou sua mudança de percepção: “Estou me livrando do meu BTC. Por quê? Uma moeda nunca deve ser mais volátil do que o que você compra e vende com ela”, disse no Twitter.

À época, Taleb foi à rede social afirmar que os entusiastas do bitcoin “são como amebas”, pensam de forma binária e têm um compromisso “ideológico”, não de estratégia de investimento, segundo relatou o site especializado Cointelegraph.

Agora, no artigo “Bitcoin, divisas e fragilidade” (leia o original aqui), Taleb, com formação como estatístico e larga experiência em negociações de ações usando ferramentas quantitativas, afirma que o bitcoin “vale zero”, em parte porque “requer uma quantidade acumulada de juros para se sustentar”.

Ele traça uma oposição com o ouro e a outros metais preciosos, que, na visão dele, “são ativos de manutenção gratuita, sem perspectiva de degradação e que não requerem manutenção para assegurar sua posse no longo prazo”.

Bate-bocas e agressões verbais no Twitter

Em meio ao seu processo de mudança de ideia, Taleb tornou-se notório, nos últimos meses, por fazer críticas ao bitcoin e ao ecossistema cripto em publicações em sua conta no Twitter.

Em alguns momentos, o escritor foi além e bateu boca com pessoas que pensam diferente dele sobre bitcoin, não raro partindo para grosserias e agressões verbais.

Em maio, por exemplo, Taleb discutiu com o economista brasileiro especializado em criptomoedas Fernando Ulrich, que já foi presidente de uma exchange lançada pela XP que depois foi descontinuada, a XDEX.

Na ocasião, segundo relatou o site especializado Portal do Bitcoin, Taleb se ofendeu após o brasileiro questionar as críticas de Taleb ao bitcoin e afirmar que ele “está provando ser um economista questionável” e, em resposta, chamou Ulrich de “idiota”.

“Seu idiota, mostre o porquê que o bitcoin deve ser monetizado?”, publicou o autor.

Depois, ele chamou o bitcoin de “mega-Ponzi de um trilhão” que atrai “dinheiro de otários”, referindo-se aos “esquemas de Ponzi” que descrevem pirâmides financeiras.

“Quando a morte do Bitcoin chegar, estaremos assistindo o desfecho de um mega-Ponzi (que ultrapassou 1 trilhão!). Cada US$ 1 que veio do ‘dinheiro dos otários’ criou aproximadamente US$ 10 em capitalização (FRM de sistema fechado). Quando o desdobramento vier, cada US$ 1 estará tentando sair do sistema …”, escreveu Taleb em uma publicação, conforme relato do Portal do Bitcoin – as publicações do escritor na rede social foram fechadas ao público desde então.

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