O que você faria se, no Brasil, a negociação de criptomoedas fosse proibida? (Imagem: Unsplash/executium)

Em participação à recente conferência Bitcoin 2021, realizada em Miami, na Flórida, diversos especialistas da indústria cripto se reuniram para debater assuntos importantes e urgentes do mercado.

No painel “O que fazer quando seu país proíbe o bitcoin”, mediado por Hector Rosekrans e que contou com a participação dos especialistas Alejandro Machado, Boaz Sobrado, Francis Pouliot e Matt Odell para debater sobre como países emergentes podem se beneficiar com a inovação do bitcoin (BTC).

Alejandro afirma que a Venezuela é um núcleo de mineração de criptomoedas, que conta com o interesse tanto governamental como privado por conta dos baixos custos de energia elétrica.

Ele afirma que o bitcoin ainda não possui ampla adesão no país, mas que a criptomoeda “está sendo usada por muitas pessoas sem que estas saibam que a estão usando”.

Em seguida, Boaz afirma que Cuba está 60 anos atrasada no quesito tecnologia e que, sim, as criptomoedas são banidas lá:

Se você está em Cuba, você não tem acesso a nenhuma infraestrutura cripto que você vê aqui. Você não comprar seu bitcoin no PayPal, na Coinbase… Você não tem acesso a ele. Porém, no fim, o bitcoin não se importa. Ainda continua funcionando [na internet, sem interferência governamental].

Hector pergunta a ele: o que as pessoas podem fazer se seu país bane essa tecnologia? Boaz mostra, na prática, o envio de US$ 100 em bitcoin para um amigo que mora em Cuba, que não tem acesso às corretoras cripto, mas que possui uma chave pública e, assim, convida a audiência a doar bitcoins.

Ele explica que qualquer tipo de tecnologia pode ser acessada no país por meio do bitcoin (como a criação de um site), já que o governo não fomenta a inovação dentro do país e, assim, o protocolo cripto funciona, digitalmente, pois não há como “desligar a internet” do país.

Como o bitcoin existe na internet, e não em uma jurisdição específica, pois está espalhado entre diversos servidores (“nós”)  globais, não há como realmente proibir que ele seja usado em certa região (Imagem: Pixabay/geralt)

Em resposta a uma pergunta de Hector sobre a repressão de reguladores à indústria cripto, Francis explica que a narrativa de liberdade do bitcoin é fundamental e o que realmente “machucaria” o sistema seria se as pessoas não investissem nos protocolos que estão sendo desenvolvidos.

Isso porque esses novos projetos querem facilitar o acesso às pessoas e, se não houver uso, a narrativa será abalada, pois não haverá quem os use como via de acesso.

Alejandro afirma que empresas precisam “se importar” com populações de países emergentes e entenderem como adaptar sua realidade bancarizada ou desbancarizada para cripto. Boaz complementa, afirmando que existem diversas etapas onerosas em obedecer a leis nacionais:

Se você é uma empresa, existe o risco regulatório. Você faz os cálculos, entende qual é o fardo regulatório ou decide se ignora o país inteiro. Se você realmente não se importar, você exclui toda aquela geografia, pois é onde o lucro está.

Porém, se você realmente se importa e se você tiver um senso ético e achar “O.K., eu me importo com a liberdade financeira”, você deve tomar esses riscos, obedecer a lei e tentar se adequar.

Os especialistas afirmam que corretoras devem estar preocupadas com a segurança e a privacidade de dados, e não os usuários, pois são elas que fornecem os serviços e, por conta das regulamentações, precisam obter mais informações de seus clientes do que o necessário.

Boaz afirma que quem está inserido na indústria tem diversas ideias e teorias, mas o usuário comum só quer que a tecnologia funcione, e não entender todas as partes complexas do sistema.

Eles debatem que um foco urgente da indústria cripto deveria ser na gestão de carteiras privadas para que usuários estejam responsáveis pela segurança de seus ativos em vez de deixá-los sob controle de um terceiro (corretoras cripto) e se exporem a hacks ou outras vulnerabilidades.

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