SÃO PAULO – O Bitcoin (BTC) está passando por um choque de oferta por conta do apetite de mineradores, que acreditam firmemente que os preços atuais não refletem o valor real da criptomoeda e, por isso, se recusam a vendê-la no mercado. As informações estão em um relatório da corretora americana Kraken divulgado nesta quinta-feira (28), que pinta um cenário de choque de oferta para o ativo digital.

Segundo o levantamento, os hodlers, apelido dado aos acumuladores de criptomoedas, entre eles os mineradores, estão mais otimistas que nunca e alcançam recorde de acumulação nos últimos meses mesmo enquanto o Bitcoin estava em baixa ou em meio à nova máxima histórica registrada na semana passada.

Desde o final de maio, o percentual de moedas que foram movidas há pouco tempo (últimos seis meses) vem caindo em relação ao total de unidades mantidas pelos usuários. Quanto menor esse número, maior é a propensão dos donos de Bitcoin para guardar os ativos por mais tempo à espera de uma alta mais substancial – portanto, maior é o otimismo de que o topo de mercado ainda não chegou.

Atualmente, a porcentagem de moedas movidas há até seis meses caiu 11,8 pontos, para mínimos que não eram vistos desde novembro de 2018, quando o BTC era negociado a US$ 5.700. Na época, a moeda digital iniciava um movimento de alta que levaria o preço para perto de US$ 20 mil em pouco mais de um mês.

O sentimento positivo também se estende à própria atividade de mineração. O hash rate (taxa de hash) do Bitcoin, indicador que aponta o poder computacional empregado na validação das transações da criptomoeda, voltou a níveis vistos antes do banimento da atividade de mineração pelo governo chinês, em maio.

A alta ocorre em meio a uma reconfiguração do mapa mundial de mineração após a debandada de empresas do setor da China. Desde o primeiro semestre, mineradores se mudaram para países como o Cazaquistão, que oferece energia elétrica barata, e os EUA, tem tem soluções de energia renovável.

Segundo Charles Edwards, fundador da firma de investimentos Capriole, o poder de processamento dedicado à rede do Bitcoin só foi mais alto que o atual por seis dias na história, o que indica otimismo do setor para o preço do Bitcoin.

Um aumento na taxa revela maior competição para validar transações, o que resulta em maior emprego de recursos na atividade. Historicamente, esse tipo de crescimento expressivo só acontece quando mineradores esperam que o preço do Bitcoin, que é chave para a sustentação do negócio, vai subir no curto prazo.

Ainda de acordo com a Kraken, pelo menos dois indicadores mostram que a moeda digital está atualmente no meio do caminho entre os territórios de sobrevendido e sobrecomprado, o que aponta que ainda há espaço para crescimento.

Para a exchange, o comportamento de detentores de longo prazo e de mineradores, aliado ao aumento da demanda, formam uma crise de oferta que coloca o Bitcoin em uma posição forte para tendência de alta.

Os dados reforçam a expectativa de nova máxima para este ano. Segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney, segue na mesa a chance de a criptomoeda buscar a casa dos US$ 100 mil em breve, possivelmente ainda em 2021.

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