Sumido desde 2017, o youtuber anarcocapitalista e pioneiro do Bitcoin no Brasil Daniel Fraga reapareceu causando polêmica por conta de uma sútil alteração em seu canal no YouTube. Em janeiro deste ano, ele teria inserido um ícone do site “whybitcoincash.com” na lista de links recomendados de sua página no Youtube.

Embora a princípio a adição do link tenha passado desapercebida para os 139.000 inscritos na página, agora que o reaparecimento de Daniel foi amplamente divulgado em um grupo do Facebook sobre criptomoedas, a manifestação levanta a seguinte dúvida: terá o mais antigo maximalista brasileiro do Bitcoin (BTC) abandonado a maior criptomoeda do mercado e abraçado o Bitcoin Cash (BCH)?

Essa simples possibilidade tem gerado debates e controvérsias. Enquanto muitos comemoraram a confirmação de sua presença no mundo dos vivos, outros esbravejaram por conta da sugestão de que Daniel teria aderido ao Bitcoin Cash. “Fazendo propaganda do BCH é f#d@. Eu só confio na original”, comentou Rafael Ferreira em postagem em um grupo do Facebook.

Conforme relatado pelo Cointelegraph, a última notícia a respeito de Fraga era de novembro de 2020, quando ele movimentou fundos através de sua conta na corretora P2P Local Bitcoins.

O “whybitcoincash.com” é propriedade de Kim Dotcom, empresário e hacker, criador do site para compartilhamento de arquivos Megaupload, e fã declarado do Bitcoin Cash. 

A página inicial do site convida os visitantes a juntatem-se à “revolução do dinheiro digital” através do BCH. Ao fazer uma comparação entre as duas criptomoedas, propõe a seguinte distinção:

“Bitcoin (BTC): Útil como reserva de valor, o que faz dele o equivalente digital ao ouro.
Bitcoin Cash (BCH): Exatamente igual ao Bitcoin, com pequenos ajustes, o que faz dele o equivalente digital ao dinheiro.”

A apresentação segue com a afirmação de que o Bitcoin Cash encampa a “visão original de Satoshi Nakamoto para o Bitcoin – um sistema de dinheiro eletrônico ponto a ponto rápido, seguro, com baixas taxas de processamento de transações.”

O Bitcoin Cash surgiu em 2017 a partir de uma divisão traumática da comunidade cripto em um embate que é lembrado como a “guerra civil” do Bitcoin. De uma lado, desenvolvedores que defendiam o aumento da capacidade de armazenamento de transações por bloco, de 1 Mb para 8 Mb, para diminuir o valor das taxas de rede e torná-las mais rápidas. Assim, o Bitcoin tornaria-se mais eficiente em sua proposta de ser uma forma de “dinheiro digital”, argumentavam.

Do outro lado, defendia-se a manutenção do tamanho do bloco em benefício da segurança da rede. Diante do impasse, houve um hard fork e o Bitcoin Cash foi criado de acordo com as propriedades desejadas pelos dissidentes. Entre eles, Gavin Andersen, o desenvolvedor a quem Satoshi Nakamoto passou o bastão antes de desaparecer.

A última manifestação pessoal de Daniel Fraga está registrada em um vídeo divulgado no Youtube em 5 de março de 2017, cujo título é “UFO in Brazil: Teleportation? Cloaking? Light effect?” (OVNI no Brasil: teletransporte? Cloaking? Efeito de luz?). As imagens, que, na descrição do vídeo, ele próprio afirma ter captado, mostram um ponto luminoso movimentando-se sobre um fundo escuro. Depois disso, ele desapareceu misteriosamente, despertando a curiosidade de seus seguidores e da comunidade cripto brasileira acerca do seu destino.

Fraga ganhou fama através do Youtube com vídeos que continham denúncias contra a classe política e preconizavam o uso do Bitcoin, então uma moeda quase desconhecida para a grande maioria dos brasileiros, cujas primeiras unidades ele dizia ter adquirido por R$ 12,00.

Em 7 anos, o youtuber foi alvo de processos de diversas autoridades, incluindo juízes, auditores da Receita Federal e de deputados e prefeitos, e muitas vezes, seus vídeos foram retirados do ar por determinação judicial. Entre os membros da comunidade cripto alinhados aos seus ideiais anarcocapitalistas alimenta-se a lenda de que a perseguição estatal foi a maior responsável pelo seu sumiço.

LEIA MAIS

Siga-nos nas redes sociais

Siga nosso perfil no Instagram e no Telegram para receber notícias em primeira mão!





Fonte original