O Sport Clube Corinthians vai lançar oficialmente em setembro um “fan token” chamado $SCCP, que vai permitir aos torcedores em todo o mundo interagirem com o time paulistano e receberem recompensas e acessos exclusivos ao dia a dia das equipes esportivas do clube, especialmente a de futebol masculino.

Anunciado em junho, como antecipado pelo Valor Investe, o “fan token” (FTO) será lançado no início do mês, em meio às celebrações do aniversário de 111 anos do clube, que, segundo especulações, deve aproveitar a oportunidade para anunciar novos patrocinadores.

O token será listado na exchange Mercado Bitcoin, segundo informou ao site Alexandre Dreyfus, presidente (CEO) da Socios.com, a plataforma que emite os “fan tokens” por meio de uma derivação de outro criptoativo-base, o Chiliz.

No futuro, diz Dreyfus, a ideia é disponibilizar o ativo digital no máximo possível de plataformas, com vistas a alcançar os torcedores do clube em todo o Brasil.

“A questão do dinheiro é fundamental para os clubes. Há um teto para gerar receitas com ingressos, porque o estádio é limitado e os preços não podem subir muito por questões de responsabilidade social. Os ganhos com venda de camisas, espaços publicitários e ‘naming rights’ também são limitados. Os tokens são uma ótima alternativa”, afirma.

Contratação de Messi fez “fan token” do PSG ser mais negociado que bitcoin no Brasil

As FTOs são modalidades de criptoativos; em um paralelo com a natureza, é como se os criptoativos fossem um gênero constituído por um conjunto de espécies.

Essas espécies incluem criptomoedas (como o bitcoin), stable coins (criptoativos semelhantes às criptomoedas, mas com lastro em moedas fiduciárias), tokens que representam ativos reais, protocolos de DeFi e tokens utilitários.

Nesta última categoria é que se enquadram os “fan tokens”, criptoativos que conferem “utilidades” e direitos a seus detentores.

Uma vez adquiridos, eles dão aos torcedores o direito a benefícios como ingressos, itens promocionais e, em alguns casos, a depender da escolha do clube emissor, até poder de voto em decisões do dia a dia – a variedade e o alcance das recompensas são definidos pelas equipes.

É importante frisar que, à diferença das criptomoedas, como bitcoin e ethereum, e dos tokens escorados em ativos reais (como tokens de precatórios, por exemplo, ou tokens lançados por times de futebol para representar recebíveis ligados a atletas), os “fan tokens” não preveem rendimentos.

Os criptoativos podem, sim, subir de valor e, portanto, gerar um potencial de valorização a seus detentores caso haja um mercado secundário que permita revender tokens comprados na emissão. Mas a ideia primária é gerar recursos para os clubes, ampliando as fontes de receitas, e, para os torcedores, permitir novas formas de engajamento e participação, mesmo que de longe.

“O alvo principal não são os torcedores da velha guarda que frequentam o estádio, mas a geração de jovens torcedores que têm familiaridade com a tecnologia e que acreditamos que é a fatia que vai mais crescer nos próximos cinco a dez anos”, diz Dreyfus. Segundo ele, haverá um investimento da empresa no Brasil, com contratação de equipe local e propaganda em jogos na televisão e na internet.

De acordo com a Socios.com, o $SCCP é similar a outros tokens já lançados pela empresa em parceria com mais de 60 times no mundo – além de entidades de outros esportes, como equipes de Fórmula 1 e times de basquete da NBA, a liga americana.

No Brasil, o Atlético Mineiro foi o pioneiro, com o token $GALO, e a iniciativa teria rendido R$ 4,5 milhões ao clube mineiro. O Corinthians ainda não detalhou quantas unidades do token serão emitidas, qual será o valor unitário delas e qual a estimativa de arrecadação com a iniciativa.

Segundo a reportagem apurou, há outros times no país interessados em se envolver com o ecossistema cripto, e o São Paulo Futebol Clube pode ser o próximo a lançar um “fan token” pela infraestrutura da Chiliz/Socios.com.

Na Europa, criptoativos semelhantes já foram emitidos, com sucesso, por gigantes como Barcelona, Juventus, Atlético de Madri, Milan, Manchester City, Arsenal e Paris Saint-Germain – alguns deles estão disponíveis na plataforma do Mercado Bitcoin.

O clube francês, aliás, acabou colaborando com a fama dos FTOs há duas semanas, quando seu token disparou de valor após o anúncio da contratação do atacante argentino Lionel Messi, que deixou o espanhol Barcelona.

À ocasião, foi informado ainda que Messi recebeu parte das gratificações acertadas na contratação em “PSG Fan Tokens”. O clube francês não divulgou a proporção dos criptoativos na negociação, mas garantiu que o valor é “significativo”, e relatos estimam que a fatia cripto nos pagamentos gira entre 25 e 30 milhões de euros.

“Há muitos brasileiros que gostam de times europeus, como Barcelona ou PSG, se consideram fãs e gostariam de participar mais, mas não conseguem por causa da distância. Agora podem fazer isso, e o potencial é enorme”.

Ele exemplifica por um fato curioso: “Quando Messi estava especulado no PSG, o token do PSG disparou. E, durante alguns dias, o volume de negociação do ‘fan token’ foi maior, no Brasil, do que o volume de bitcoins”.

Corinthians vai lançar token para torcedor interagir com o clube e ganhar brindes — Foto: Reprodução



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